Recuperando baterias de NiCd


Eu possuo uma parafusadeira que veio com 3 baterias NiCd. Todas estavam praticamente inúteis depois de 4 anos de uso: uma  delas o carregador nem aceitava mais, indicando que a bateria estava estragada; as outras carregavam mas não completamente, a carga delas não servia nem para fazer 10 furos. Eu iria aposentar a furadeira, mas decidi dar uma chance a ela, tentando dar uma melhorada nessas baterias.

As baterias de níquel cádmio – NiCd – são as baterias que era usadas em praticamente todas ferramentas a bateria até um tempo atrás, sendo em alguns casos substituídas por baterias de Hidreto Metálico de níquel –  NiMH – e mais recentemente pelas baterias de íons de lítio Li-Ion.

A maioria das ferramentas a bateria de hoje em dia, pelo menos das grandes marcas, usam baterias de Li-Ion. Mas algumas ferramentas ainda usam NiCd e com certeza muitos possuem ferramentas mais antigas que usam essas baterias. Muito se tem falado sobre baterias de NiCd, que elas “enfraquecem” com o tempo, que criam efeito memória, etc. O fato é que baterias de NiCd são extremamente robustas e duráveis, elas possuem cerca de 1000 ciclos de carga e descarga, para comparar as NiMH possuem de 300 a 500 ciclos.

O principal problema das baterias de NiCd é que elas perdem capacidade com o tempo se não forem descarregadas e carregadas da forma correta, e vamos ver que isso não tem a ver apenas com o usuário, tem a ver com o carregador também. Quase sempre, no caso de ferramentas, o carregador faz uma recarga super-rápida, enquanto que o ideal para as baterias de NiCd seria uma carga um pouco mais lenta, ou cargas rápidas intercalada com uma carga lenta de vez em quando. Não que isso seja um defeito ou problema do carregador, trata-se de uma característica necessária para usar as ferramentas, já pensou ter de esperar 14 horas para a bateria da furadeira ficar carregada? Então, pesando os prós e contras, é melhor que o carregador envie uma carga rápida, mesmo que isso não seja tão bom para a bateria, do que esperar a noite toda para recarregá-la.

Figura 1: Bateria de parafusadeira.

Figura 2: Dados da bateria: tensão (14,4V) e capacidade (1,3Ah).

No corpo da bateria vamos encontrar informações úteis. A tensão dessa bateria é 14,4V. Também encontramos a capacidade que é medida em ampere-hora: Ah. Essa possui 1,3Ah, essa informação é muito importante também para recondicionar corretamente a bateria. Uma bateria é composta por uma ou mais células, há vários formatos de célula sendo que essa bateria usa o formato “Sub C” que parece uma pilha, conforme podemos ver na figura 3. Cada célula de NiCd tem a voltagem nominal de 1,2 V. Então se a bateria tem 12V ela tem 10 células de 1,2V ligadas em série. Ainda observando a figura 3 vemos que há um circuito eletrônico, esse chip com fios amarelos, que serve como um alarme de temperatura, não estudei a fundo mas acredito que serve para o carregador não iniciar a carga caso a bateria esteja acima de uma certa temperatura. Esses fios pretos cortados estavam ligados a um termistor que ficava lá no interior da bateria, entre as células. Eu acredito que ele serve para dar o sinal de carga completa para o carregador, pois com carga rápida a bateria de NiCd tem um aumento de temperatura bem característico no final, assim o carregador consegue saber que deve parar de enviar energia para a bateria.

Figura 3: Bateria sem a capa plástica, mostrando uma célula solta na frente.

Agora que já sabemos como é uma bateria por dentro, vou falar um pouco sobre porque a bateria perde capacidade ao longo do tempo. O motivo principal é o chamado efeito memória. Essa diminuição da capacidade de carga se deve a vários fatores. Não vou entrar em detalhes químicos, vou explicar de uma forma bem simplista: dentro da célula, há microscópicos cristais de cádmio e a energia é gerada na sua superfície, quanto menor os cristais mais superfície para gerar energia. Quando a bateria é sobrecarregada ou descarregada de forma incompleta repetidas vezes, esses cristais aumentam de tamanho, diminuindo sua área efetiva e diminuindo assim a capacidade da célula.

A sobrecarga não é um problema pois quase sempre os carregadores, pelo menos de marcas conceituadas, são automáticos, possuem sensores que avisam quando a carga chegou ao fim, assim eles desligam assim que a carga está completa. O principal problema então é a descarga incompleta, que faz aumentar o tamanho dos cristais, o que na prática diminui a capacidade de carga da bateria. O ideal é que a bateria seja descarregada até 0,9V por célula, mas na prática, quem vai fazer isso? Nem mesmo é possível medir a tensão da bateria sem tirar ela da ferramenta. No final das contas a gente usa a ferramenta até a bateria começar a dar sinais de estar fraca, e esse ponto geralmente não é o ponto de descarga ideal.

Outro problema que acontece é porque nem todas células da bateria são iguais, por mais que sejam do mesmo fabricante, mesmo lote, sempre há pequenas diferenças entre elas. Então durante a descarga, uma célula pode se descarregar mais rápido do que outra. O contrário acontece na recarga, essa primeira célula vai demorar mais para carregar. Como o carregador original envia uma carga ultra rápida, ele não pode ficar ligado até que todas as células estejam totalmente carregadas, em uma carga rápida as células esquentam de uma forma rápida e intensa quando estão totalmente carregadas. No final das contas quando o carregador desliga podemos ter algumas células com menos carga do que o ideal.

O outro problema ainda que pode deixar a bateria funcionando de forma precária é uma ou mais células mortas, zeradas, sem tensão alguma. Você bate o voltímetro na célula e ele indica 0V. Uma célula zerada diminui a tensão da bateria e consequentemente diminui a força da ferramenta. Células zeradas podem até mesmo fazer com que carregadores “inteligentes” recusem a bateria.

Caixa para formões

Meus formões ficavam em uma caixa de ferramentas, mas eles acabavam escapando do seu nicho, caindo dentro da caixa e estragando o fio. Por isso decidi fazer uma caixa dedicada, exclusiva para os formões, assim não há perigo deles estragarem durante o transporte, já que eu os carrego muito para cá e para lá.

cedar chisel box
As laterais da caixa são em cedro rosa.
dovetail chisel box
Os encaixes em rabo de andorinha (dovetail).
chisel box spanish cedar
Os formões acomodados.

wood hinges
As dobradiças de madeira. Usei itaúba para fazer as dobradiças pois é uma madeira resistente mas ao mesmo tempo tem os veios retos, dando resistência à dobradiça. Além disso a itaúba tem uma espécie de óleo impregnado na madeira, deixando a dobradiça lubrificada por si só.


stop wood hinges
A própria dobradiça funciona como batente para a tampa não cair para trás.

Shoku: uma mesa para bonsai

As pessoas que cultivam bonsai usam uma pequena mesa em ocasiões especiais, seja uma exposição ou uma visita de amigos na sua casa, para deixar o vaso do bonsai em cima e valorizar ainda mais a árvore. Em japonês essas mesas são chamadas de shoku. Eu já havia feito duas outras mesas assim, uns modelos mais simples e fáceis de se fazer, que pode ser vistas aqui: um modelo mais alto, e aqui: um modelo mais baixo.

O bonsai é uma arte que eu admiro muito, não entendo muito sobre ela, mas acredito que dedicação e paciência são dois itens fundamentais. Pensando nisso decidi dessa vez fazer um modelo mais complexo, que exige tempo, dedicação e paciência para fazer. Trata-se de uma mesa em estilo chinês, incluindo os encaixes chineses que fazem com que a peça tenha uma durabilidade enorme, mesmo que a cola venha a se deteriorar com o tempo.

Vou começar mostrando a mesa finalizada e em seguida mostrar os detalhes construtivos.

shoku bonsai stand table
A madeira dos pés e da moldura do tampo é Peroba-rosa, reutilizadas de um antigo telhado. Já a madeira da almofada, do miolo do tampo é Itaúba, também reutilizada.

chinese bonsai table
Os pés curvados para dentro e esse rebaixo entre os pés e o tampo é uma das características dos móveis chineses.

through tenon


triple miter leg
Outra característica dos móveis chineses são os cantos em meia esquadria tripla, além desse friso nos pés . 

molding bead

Esse é meu logotipo entalhado em baixo do tampo. Ele foi criado por um grande amigo publicitário,  Júlio Mello.

Agora as fotos da construção da mesa. A aparente simplicidade externa do encaixe em meia esquadria tripla nos cantos da base é algo que engana, como pode ser visto nas fotos abaixo.

doble tenon
Esse é o encaixe fechado, ainda reto, sem as curvaturas nos pés.
triple miter
O que parece uma simples meia esquadria por fora, se revela um encaixe complexo por dentro.

Bookcase: uma estante para livros.

Eu sempre gostei muito de ler, não importa o tipo de livro ou revista, desde que seja bom e cative a leitura. Eu vinha guardando os livros em um espaço no guarda-roupa, mas aos poucos o espaço foi ficando pequeno para os livros e revistas que tenho. Então surgiu a ideia de fazer uma estante para livros. Após me inspirar em várias fotos de bookcases na internet, defini as linhas gerais e comecei fazer.

O resultado está nas fotos abaixo.







Puxadores feitos em itaúba.


Abaixo tem uma sequência de fotos da construção da estante.

A estante foi feita em madeira louro-freijó e compensado sarrafeado, folheado em louro freijó de ambos os lados. A montagem do caixote em compensado é simples e rápida, com parafusos, pinos ou pregos e cola.


A estrutura em forma de caixote feita de compensado. No vão livre inferior teremos duas portas de madeira e no restante acima duas portas com vidro.


Na frente da estante vai um quadro em madeira, também louro-freijó, que serve para encabeçar o compensado e dar suporte às portas.