Caixa para formões

Meus formões ficavam em uma caixa de ferramentas, mas eles acabavam escapando do seu nicho, caindo dentro da caixa e estragando o fio. Por isso decidi fazer uma caixa dedicada, exclusiva para os formões, assim não há perigo deles estragarem durante o transporte, já que eu os carrego muito para cá e para lá.

cedar chisel box
As laterais da caixa são em cedro rosa.
dovetail chisel box
Os encaixes em rabo de andorinha (dovetail).
chisel box spanish cedar
Os formões acomodados.

wood hinges
As dobradiças de madeira. Usei itaúba para fazer as dobradiças pois é uma madeira resistente mas ao mesmo tempo tem os veios retos, dando resistência à dobradiça. Além disso a itaúba tem uma espécie de óleo impregnado na madeira, deixando a dobradiça lubrificada por si só.


stop wood hinges
A própria dobradiça funciona como batente para a tampa não cair para trás.

Shoku: uma mesa para bonsai

As pessoas que cultivam bonsai usam uma pequena mesa em ocasiões especiais, seja uma exposição ou uma visita de amigos na sua casa, para deixar o vaso do bonsai em cima e valorizar ainda mais a árvore. Em japonês essas mesas são chamadas de shoku. Eu já havia feito duas outras mesas assim, uns modelos mais simples e fáceis de se fazer, que pode ser vistas aqui: um modelo mais alto, e aqui: um modelo mais baixo.

O bonsai é uma arte que eu admiro muito, não entendo muito sobre ela, mas acredito que dedicação e paciência são dois itens fundamentais. Pensando nisso decidi dessa vez fazer um modelo mais complexo, que exige tempo, dedicação e paciência para fazer. Trata-se de uma mesa em estilo chinês, incluindo os encaixes chineses que fazem com que a peça tenha uma durabilidade enorme, mesmo que a cola venha a se deteriorar com o tempo.

Vou começar mostrando a mesa finalizada e em seguida mostrar os detalhes construtivos.

shoku bonsai stand table
A madeira dos pés e da moldura do tampo é Peroba-rosa, reutilizadas de um antigo telhado. Já a madeira da almofada, do miolo do tampo é Itaúba, também reutilizada.

chinese bonsai table
Os pés curvados para dentro e esse rebaixo entre os pés e o tampo é uma das características dos móveis chineses.

through tenon


triple miter leg
Outra característica dos móveis chineses são os cantos em meia esquadria tripla, além desse friso nos pés . 

molding bead

Esse é meu logotipo entalhado em baixo do tampo. Ele foi criado por um grande amigo publicitário,  Júlio Mello.

Agora as fotos da construção da mesa. A aparente simplicidade externa do encaixe em meia esquadria tripla nos cantos da base é algo que engana, como pode ser visto nas fotos abaixo.

doble tenon
Esse é o encaixe fechado, ainda reto, sem as curvaturas nos pés.
triple miter
O que parece uma simples meia esquadria por fora, se revela um encaixe complexo por dentro.

Bookcase: uma estante para livros.

Eu sempre gostei muito de ler, não importa o tipo de livro ou revista, desde que seja bom e cative a leitura. Eu vinha guardando os livros em um espaço no guarda-roupa, mas aos poucos o espaço foi ficando pequeno para os livros e revistas que tenho. Então surgiu a ideia de fazer uma estante para livros. Após me inspirar em várias fotos de bookcases na internet, defini as linhas gerais e comecei fazer.

O resultado está nas fotos abaixo.







Puxadores feitos em itaúba.


Abaixo tem uma sequência de fotos da construção da estante.

A estante foi feita em madeira louro-freijó e compensado sarrafeado, folheado em louro freijó de ambos os lados. A montagem do caixote em compensado é simples e rápida, com parafusos, pinos ou pregos e cola.


A estrutura em forma de caixote feita de compensado. No vão livre inferior teremos duas portas de madeira e no restante acima duas portas com vidro.


Na frente da estante vai um quadro em madeira, também louro-freijó, que serve para encabeçar o compensado e dar suporte às portas.

Caixa em imbuia, restauração.

Tenho uma amiga que faz belíssimos arranjos para natal, festas e outras ocasiões. Uma de suas clientes pediu se ela não conhecia alguém para reformar ou restaurar uma caixa de faqueiro e minha amiga lembrou-se de mim. Então ela me apareceu com esse antigo faqueiro, uma caixa em imbuia para restaurar ou reformar da melhor forma que fosse possível e, detalhe, em uma semana. Restauração pode proporcionar surpresas e levar tempo, pois inúmeros contratempos podem acontecer, já que a gente não tem ideia de como as coisas foram feitas, que materiais foram usados, etc...

Depois do exposto, vemos que restauração e prazo curto muitas vezes não funcionam juntos, pode ser uma simples raspagem da tinta ou verniz seguido de novo acabamento, como pode ser necessário fazer reparos maiores, reconstrução de algumas partes, busca por materiais que nem sempre são encontrados facilmente, etc. Mas como estava com tempo e também em consideração a essa amiga, decidi aceitar.

Não tenho fotos do antes nem do durante da reforma, mas a caixa estava basicamente com uma tinta preta, emborrachada e áspera por fora, a tampa estava empenada e a fechadura não funcionava. A fechadura foi simplesmente trocada por um modelo idêntico.

Inicialmente tentei lixar a caixa, mas não foi possível lixar já que a tinta empapava a lixa, foi preciso retirar raspando com uma raspilha manual e plainas. Durante a raspagem da tinta a madeira revelou ser de uma grande beleza, uma imbuia bem escura com alguns rajados em marrom claro amarelado.

O tampo da caixa era um compensado com um trabalho de marchetaria sobre ele. Durante a raspagem as lâminas de imbuia se soltaram em algumas partes, mas mesmo assim queria manter o tampo original, fazendo pequenos enxertos, etc. Esse compensado era simplesmente colado ao tampo mostrando, na sua borda, o miolo do compensado e, para esconder esse miolo, fiz um pequeno recorte para inserir uma borda de imbuia, em madeira mesmo. Ao fazer esse recorte descobri que o compensado estava se soltando, descolando suas lâminas internas: não era mais possível manter o tampo original.

Então parti para a confecção de um novo tampo com lâminas de imbuia, refazendo a marchetaria e inserindo nas bordas dele uma pequena tira em madeira, do mesmo tom da caixa. Infelizmente não encontrei lâminas no mesmo tom do tampo original. A imbuia é uma madeira que varia muito de tom, essas lâminas que usei eram bem mais claras que as originais. Por falta de tempo, o tampo novo ficou com um tom mais claro que o original.

De acabamento foram 4 demãos de óleo de tungue polimerizado, seguidas por fim de duas finas camadas de cera a base de carnaúba. O óleo de tungue, desde que seja 100% puro é um produto seguro para ser usado em utensílios que irão entrar em contato com alimento.


A caixa pronta.

As lâminas do tampo parecem ser em tons diferentes uma da outra, duas escuras e duas claras, mas  é apenas um efeito da  luz incidindo sobre elas de um ângulo lateral. Isso ocorre pois na hora de fazer a marchetaria, para os veios das madeiras se encaixarem é preciso virar duas lâminas ao contrário, assim suas fibras correm em ângulo diferente e refletem a luz de forma diferente. Sob outros ângulos não é possível ver essa diferença.

Aqui novamente a diferença por conta da luz lateral.

Detalhe do tampo com as bordas em madeira, escondendo o topo do compensado e dando resistência  à peça.